México quer acordo com os EUA para deportar migrantes diretamente para os seus países

O Presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador manifestou quarta-feira a intenção de chegar a acordo com Washington para que os migrantes deportados do território norte-americano sejam enviados diretamente para os seus países de origem, sem passar pelo México.

© Facebook de Andrés Manuel López Obrador

 

“Estamos à espera de chegar a um acordo para que, se tomarem a decisão de deportar, o façam diretamente”, sublinhou o chefe de Estado mexicano durante a sua habitual conferência de imprensa, de acordo com o jornal ‘La Jornada’ citado pela agência Europa Press.

López Obrador garantiu que o México “não tem problemas” em acolher e tratar “muito bem” todos os migrantes, mas manifestou as suas dúvidas sobre a necessidade de realizar estas deportações de forma triangular desde os Estados Unidos através do México.

As declarações de López Obrador surgem apenas um dia depois de o Presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, ter anunciado uma série de novas medidas para evitar que os migrantes que atravessam ilegalmente a fronteira sul recebam asilo, facilitando assim as expulsões daqueles que não estão legalmente protegidos para permanecer em território dos Estados Unidos.

As medidas não serão permanentes e serão suspensas quando o número de migrantes que atravessam a fronteira for suficientemente baixo para que o sistema dos EUA possa lidar com isso de forma segura e eficaz.

Estão também incluídas exceções humanitárias, como menores não acompanhados, vítimas de tráfico ou doentes.

Biden e López Obrador tinham mantido na terça-feira uma conversa telefónica em que abordaram vários assuntos, desde as recentes eleições no México até à “parceria sólida e construtiva” entre ambas as nações para melhorar a cooperação em questões económicas, de imigração e de segurança.

López Obrador detalhou hoje que conversou aprofundadamente com Biden sobre a Guatemala, foco de migração regional, bem como sobre o apoio à América Central, Caraíbas e América Latina para enfrentar as causas da migração.

As medidas anunciadas por Biden, que geraram críticas de ativistas e acusações de aproveitamento eleitoral pelos republicanos, geraram também dúvidas sobre se poderão ser implementadas.

Por exemplo, o Governo norte-americano celebrou um acordo com o México no qual este país vizinho concorda em aceitar até 30.000 cidadãos por mês de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, uma vez que lhes seja negada a entrada dos EUA, mas não se sabe se este procedimento continuará em vigor.

Também não ficou claro o que acontecerá aos cidadãos de outros países cuja entrada vier a ser negada pela diretiva de Biden.

A diretiva que entrou na terça-feira em vigor difere das diretivas que o ex-presidente republicano Donald Trump tinha colocado em prática – embora se tenha baseado nas mesmas disposições da Lei de Imigração – incluindo a diretiva de 2017 que travava a entrada de cidadãos de países de maioria muçulmana.

Últimas de Política Internacional

Milhares de venezuelanos saíram às ruas em várias cidades do continente americano para pressionar o Conselho Nacional Eleitoral, que declarou a vitória de Nicolás Maduro nas presidenciais, a divulguar as atas eleitorais de 28 de julho.
A Croácia vai reintroduzir o serviço militar obrigatório de dois meses a partir de 01 de janeiro de 2025, anunciou hoje o ministro da Defesa croata, Ivan Anusic.
O candidato republicano Donald Trump prometeu na quarta-feira que, se ganhar as eleições presidenciais em novembro, vai atacar a inflação, fazer crescer a economia e reduzir as despesas com energia a metade.
A Itália, na qualidade de presidência em exercício do G7, vai apresentar em setembro à ONU um projeto de reconstrução global para Gaza com vista ao “nascimento de um Estado palestiniano”, revelou o chefe da diplomacia italiana.
O primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, anunciou hoje que vai abandonar a liderança do Partido Democrático Liberal (PDL), no poder, o que significará o fim do mandato.
O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos manifestou-se hoje preocupado com as detenções arbitrárias na Venezuela em protestos contra os resultados das eleições presidenciais e com “o clima de medo” vivido no país.
O porta-voz do candidato republicano à presidência dos EUA acusou a UE de tentar interferir nas eleições norte-americanas, depois de Bruxelas advertir que monitoriza a disseminação de mensagens de ódio na X (antigo Twitter).
O milionário Elon Musk afirmou que a entrevista com o ex-presidente norte-americano Donald Trump na rede social X (antigo Twitter) começou com um atraso de 45 minutos devido a um "ataque cibernético maciço".
O secretário da Defesa dos EUA ordenou o acelerar do destacamento de um porta-aviões para o Médio Oriente, onde aumentam os receios de um alastramento regional da guerra entre Israel e o Hamas.
O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, reiterou hoje a condenação “enérgica” da China ao recente assassínio, no Irão, do líder político do Hamas, que descreveu como uma “grave violação da soberania iraniana”.